Explorando canto, DJ sets, terapias holísticas, pintura e astrologia, Bárbara transforma sua arte em experiências de conexão, cura e autodescoberta
Trajetória multifacetada
Nesta entrevista à GOB, a cantora brasileira Bárbara Eugênia revela como suas múltiplas linguagens se entrelaçam para criar experiências que vão além da música – da pista de dança à meditação guiada, do estúdio às cores da pintura.
Com uma sonoridade que transita entre o indie, o folk e a psicodelia, ela construiu uma carreira marcada por sensibilidade, autenticidade e experimentação e não se limita a um único caminho artístico. Cantora, produtora, DJ, atriz – embora prefira chamar a atuação de uma forma de expressar e performar -, e também terapeuta holística, instrutora de yoga e massoterapeuta, ela vive uma vida artística genuinamente multifacetada.
“Minha arte sempre foi sobre expressar, performar, curar e, ao mesmo tempo, me curar”, conta. Cada linguagem que ela explora, do canto à meditação guiada, da astrologia à ativação de memória, se conecta em um fluxo de criatividade que transforma tanto a experiência dela quanto a do público. “Se eu não estivesse no meu caminho de autoconhecimento, talvez ainda estivesse num lugar difícil. As coisas foram se juntando de um jeito que expandiu, que curou”, conta ela, refletindo sobre como todas essas linguagens começaram a se conectar.
DJane Fonda: a faceta expansiva da arte
Em 2008/2009, surgiu o projeto DJane Fonda, nascido de uma festa em que ela estava fantasiada de aeróbica. “A DJane Fonda me permite explorar uma faceta mais animada e expansiva da minha arte, diferente da intimidade do meu canto”, explica Bárbara.
Nos sets, ela transita entre eletro, tech house, synth pop, house, e até clássicos dos anos 80, adaptando o repertório ao contexto – seja uma balada, um festival como o Boom, ou um evento corporativo de jazz lounge. Há também um lado de pesquisa, em que Bárbara busca sons do mundo, misturando influências e criando experiências sonoras únicas.
Já a mudança para Portugal, em 2022, trouxe novos olhares e referências, alimentando seu processo criativo e abrindo caminhos para projetos mais introspectivos e imersivos.
Música medicina: cura e transformação interior
Essa busca por conexão e expressão a levou a explorar a “música medicina”, uma música voltada à cura e à transformação interior, tanto para ela quanto para quem a escuta.
Gravado em Portugal no final de 2023, esse projeto surgiu em um momento de dúvida e introspecção, quando Bárbara questionava seu próprio caminho artístico e a conexão com sua missão. Para ela, a música medicina vai além do entretenimento: é uma ferramenta de liberação emocional e espiritual. “Não é só sobre fazer música para tocar o público, mas sobre criar um espaço onde a vibração da música pode transformar o estado interno das pessoas”, explica. Atualmente, segue se apresentando em festivais e eventos de ecstatic dance, onde combina performance musical e experiências holísticas imersivas.
Bárbara considera a música medicina uma extensão natural de sua trajetória multifacetada, integrando suas habilidades como terapeuta, cantora e performer em algo que transcende rótulos. Suas experiências imersivas buscam despertar amor, presença e conexão no público. “Quero que as pessoas saiam sentindo amor, conexão, uma energia que transcenda a música em si”, diz.
Para ela, cada apresentação é uma oportunidade de canalizar energia positiva e espalhar amor. “A música é o meio mais eficiente para se conectar e te impactar. É vibração”, explica, revelando a intenção por trás de cada performance.
Em sua visão, cada faceta de sua arte – da música às terapias, da pintura às performances – converge para um propósito maior: ativar a potência criativa das pessoas presentes e criar conexão genuína. “Desejo que as pessoas saiam sentindo amor, conexão e vibração, independentemente da música que estou cantando. É sobre ser um canal”, resume, mostrando como cada expressão artística se transforma em uma experiência de presença e transformação.
AAIMA: a liberdade de explorar novas sonoridades
Em 2025, o disco Goddess, pelo projeto AAIMA, revelou um lado mais dark e experimental, mostrando que a multiplicidade é o que dá força à sua trajetória. Bárbara mostra que não precisa se limitar a músicas alegres ou românticas. “É sobre abraçar a multiplicidade, aceitar todas as cores da minha arte”, afirma.
Para ela, até mesmo canções mais densas ou intensas têm um propósito: permitir que emoções difíceis sejam sentidas e liberadas, sem ficarem presas. “Não é porque você canta uma música triste ou densa que isso vai se perpetuar dentro de você. Quando você canta, a energia já foi embora”, reflete.
Criar, sentir, expandir: a artista em movimento
Além da música, Bárbara compartilha suas descobertas e insights no podcast “Encontros Cósmicos”, dedicado à astrologia, canalizações e autoconhecimento.
E a artista não para por aí. O que ainda falta viver ou criar em sua trajetória? O futuro continua a se desdobrar de formas diversas: lançar um livro autobiográfico com toques de autoajuda – um pedido de seus guias para compartilhar sua história com propósito -, além de continuar expandindo sua arte. “Ano passado foi apenas fluir, este ano é de desabrochar”, afirma.
O livro “Vida gauche e doce” entra em pré-venda hoje e pode ser adquirido online.
Gravar novas músicas, explorar performances e se dedicar à pintura como expressão pessoal também estão em sua lista. Por enquanto, a pintura é mais para si mesma do que para exposição profissional, mas reflete a mesma energia que deseja compartilhar com o público. “Estou amando brincar com as cores, dar vazão a essa necessidade e colocar para fora. Quero escrever mais, gravar mais, compartilhar mais… usar toda minha energia para ativar a potência criativa das pessoas”, reflete.
Bárbara Eugênia transforma a multiplicidade de sua arte em um convite: para sentir, se conectar e despertar a criatividade que existe em cada um de nós. Música, cura, performance, pintura e astrologia não são apenas caminhos paralelos na sua trajetória, mas facetas de uma expressão artística integrada. Ela vive a multiplicidade de forma genuína, fluida e profundamente transformadora e pode conferir todos seus trabalhos no seu Bandcamp.