CT 2026: temporada começa com novidades e talentos para ficar de olho, mas o verdadeiro destaque está fora da água

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O dia 1º de abril marca o arranque de mais uma temporada do World Surf League Championship Tour (CT), o circuito mais prestigiado do surf mundial. As melhores ondas do planeta voltam a ser palco de disputas intensas, mas este ano há uma mudança que vai além da performance: uma evolução necessária na forma como o desporto olha para a carreira das atletas.

Maternity Wildcard: uma mudança necessária no circuito

No centro dessa transformação está o Maternity Wildcard, uma iniciativa da própria World Surf League que traz uma nova perspetiva sobre maternidade e alta competição. 

Durante muito tempo, a lógica do circuito foi simples: quem sai, perde espaço. Para surfistas profissionais, isso significava que uma pausa podia custar rankings, convites e, muitas vezes, anos de reconstrução. O regresso não era apenas físico ou emocional, mas também estrutural.

Com o Maternity Wildcard, essa realidade começa a mudar. No caso das atletas grávidas,  elas não serão prejudicadas pelo corte que acontece no meio do ano. Se se afastarem por gravidez, as suas vagas serão “congeladas” para o ano seguinte, garantindo que tenham uma temporada completa para competir quando retornarem. Além disso, a nova regra permite que atletas que se afastaram para ter filhos possam regressar ao CT com acesso facilitado e protegido às etapas, sem terem de recomeçar completamente do zero. 

Essa mudança ganha ainda mais relevância quando olhamos para nomes que ajudam a dar rosto a essa transição. A francesa Johanne Defay, que se tornou mãe no ano passado, será a primeira a se beneficiar com esta medida. Ao partilhar a notícia nas redes sociais, deixou uma reflexão que resume bem esse momento do surf feminino: “Os homens têm a sorte de poder continuar as suas carreiras profissionais enquanto se tornam pais, e eu gostaria de continuar a minha enquanto me torno mãe.” A frase ecoa muito além do surf e reforça a importância de iniciativas como o Maternity Wildcard, que começam a equilibrar um jogo historicamente desigual.

A brasileira Tatiana Weston-Webb, que acabou de se tornar mãe e é uma das maiores referências do surf feminino atual, também está confirmada para a temporada de 2027 com o Wildcard. É um novo momento para o circuito, num cenário onde decisões pessoais já não precisam significar retrocessos profissionais, o futuro torna-se mais aberto e mais justo, mostrando que é possível construir uma carreira sólida e, ao mesmo tempo, repensar prioridades ao longo do caminho.

Mais do que uma regra, o Maternity Wildcard simboliza uma mudança cultural no surf profissional. Ele aproxima o desporto da realidade das atletas, reconhecendo que a vida acontece também fora das competições e que isso não deveria ser um obstáculo, mas parte da jornada.

O início do CT 2026, não marca apenas mais uma temporada. Marca um novo capítulo, onde essa evolução parecia não só necessária, mas inevitável.

Nomes para ficar de olho no CT 2026

A “next Gen” brasileira

O Brasil continua a ser a maior potência, mas os nomes estão mudando:

Yago Dora: Se 2024 e 2025 foram os anos de consolidação, 2026 é o ano em que Yago entra como franco favorito ao título. O seu surf está no nível dos melhores do mundo e o seu aéreo é, possivelmente, um dos melhores do tour.

João Chianca (Chumbinho): Após o seu retorno triunfal às competições, Chumbinho é o nome da raça. Em ondas pesadas como Pipeline, ele é um dos poucos que consegue bater de frente com os havaianos.

Samuel Pupo: Representa a precisão técnica. Com um surf muito polido e moderno, Samuel consolidou-se como um competidor estratégico, capaz de tirar notas altas em qualquer tipo de mar através de curvas potentes e finalizações explosivas.

Ian Gouveia: O herdeiro de uma linhagem clássica, Ian traz um surf de muita pressão e um backside agressivo. Em 2026, tanto ele quanto Samuel destacam-se pela maturidade competitiva que os tem levado sempre nas quartas ou semis.

As donas do lineup

Molly Picklum (AUS): A mulher a ser batida. Molly surfa ondas grandes com uma facilidade assustadora e tem um flow que lembra a potência dos anos 90, mas com uma leitura de onda totalmente moderna.

Caitlin Simmers (EUA): A “Caity” é a definição do surf punk rock. Com uma atitude autêntica, ela não surfa para os juízes, mas para si mesma, resultando em linhas totalmente imprevisíveis e criativas. Em 2026, ela lidera a geração que mistura um surf de borda pesado com aéreos progressivos, trazendo manobras de altíssimo risco.

Erin Brooks (CAN): Uma prodígio das piscinas de ondas que transpôs essa perfeição técnica para o mar. É uma grande ameaça em etapas de performance, pois consegue notas excelentes em ondas que parecem “perdidas” para as outras competidoras.

Bettylou Sakura Johnson (HI): A força havaiana pura. Bettylou traz o Hawaian Power de volta ao tour com manobras de pressão para ficar de olho.

Prodígios da Oceania e Pacífico

Griffin Colapinto: O californiano mais consistente. Griffin é o segundo no ranking atual e tem o pacote completo: mental forte, surf aéreos e é muito bom em ondas pequenas, o que ajuda em etapas como Saquarema ou Trestles.

Ethan Ewing: O australiano traz o “estilo perfeito”. Se queres ver como se faz um surf de linha, não deixe de acompanhá-lo.

Barron Mamiya (HI): O havaiano que é puro instinto. Ele é imprevisível e um dos melhores quando o mar fica realmente desafiador.

Seth Moniz (HI): O “príncipe” de Pipeline. Seth é um dos surfistas mais técnicos do mundo em ondas críticas. Em 2026, ele traz aquele DNA havaiano que não recua diante do perigo.

Não perca o início do campeonato em Bells Beach – Austrália, entre 1 e 11 de abril.

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