Quatro leituras para dar um reset na mente e começar o ano com tudo

Janeiro chegou e, com ele, aquela vontade clássica de “zerar a vida”. Mas antes de te perderes em listas intermináveis de metas que (sejamos honestas) podem ser abandonadas em fevereiro, que tal investires na ferramenta mais potente que tens: a tua própria consciência?

Para este primeiro mês do ano, selecionamos quatro livros que são verdadeiros “abre-mentes”. Esquece as fórmulas mágicas de autoajuda; aqui falamos de entender as tuas emoções, abraçar a tua vulnerabilidade, ler os sinais do teu corpo e, claro, entender o teu papel no mundo.

Prepara o café, escolhe um canto confortável e descobre os quatro títulos que vão guiar os teus novos começos em 2026.

Talvez Você Deva Conversar com Alguém — Lori Gottlieb

Foco: saúde mental e humanidade

Neste livro, a terapeuta Lori Gottlieb conta como o seu mundo desabou após um término inesperado, levando-a a procurar terapia. O que torna ele viciante é a dualidade: acompanhamos a Lori enquanto ela atende os seus pacientes e, ao mesmo tempo, enquanto ela se senta no sofá de outro terapeuta.

Este livro é um espelho. A autora mostra-nos que, enquanto estamos obcecadas com o “problema visível” (o ex que não liga, o emprego que cansa), muitas vezes estamos apenas a evitar a dor real que mora por baixo. Ela explora o conceito de “Prisões Emocionais”. Muitas vezes somos nós que mantemos a porta da cela aberta, mas temos pavor de sair por causa da liberdade que isso exige.

“Nós não podemos mudar o que não admitimos. A mudança e a libertação caminham juntas.”

Porquê ler em janeiro: É o mês das resoluções, mas muitas vezes focamos apenas no exterior. É o momento de questionar: “Quais são as histórias que conto sobre mim mesma e que já não são verdade?”. A mudança começa quando paramos de ser as editoras das nossas dores e passamos a ser as autoras da nossa cura. É leve, engraçado e profundamente libertador.

A Coragem de Ser Imperfeito — Brené Brown

Foco: vulnerabilidade e coragem

A Brené Brown passou anos a estudar a vergonha e a vulnerabilidade até chegar a uma conclusão revolucionária: viver com ousadia significa aceitar que não temos o controlo de tudo. Ela desconstrói a ideia de que a vulnerabilidade é um sinal de fraqueza. Ela prova que sem vulnerabilidade não há criatividade, não há amor e não há inovação.

Brené fala sobre o “Escudo de Proteção” e desafia o mito de que temos de ser perfeitas para sermos dignas de amor e sucesso. Passamos a vida a tentar ser perfeitas para evitar a crítica, mas esse escudo é o que nos impede de sentir a alegria real.

“Vulnerabilidade não é ganhar ou perder; é ter a coragem de aparecer e ser visto, mesmo quando não temos controlo sobre o resultado.”

Porquê ler em janeiro: No início do ano, temos a tendência de criar uma “versão perfeita” de nós mesmas. A autora ensina que o sucesso não é o oposto do fracasso; o oposto do sucesso é o medo de te mostrares. Se queres começar um projeto novo ou algo desafiador, este livro é o teu guia para não desistir.

O Corpo Fala — Pierre Weil e Roland Tompakow

Foco: comunicação e consciência corporal

O corpo humano é um espelho das nossas emoções e este livro é um manual de alfabetização. Nós aprendemos a ler letras, mas não aprendemos a ler músculos e tensões. Ele explica como o corpo expressa o conflito entre o que pensamos e o que sentimos. Através de ilustrações didáticas, os autores mostram como a nossa postura e os nossos gestos revelam sentimentos escondidos. 

A obra foca-se na “Sincronia”. Se o teu corpo está contraído enquanto dizes “estou calma”, há um gasto de energia imenso aí. Ao aprender a ler o corpo (o teu e o dos outros), ganhas uma vantagem intuitiva enorme. Se estás a tentar ser mais assertiva ou mais presente, entender que o teu corpo tem uma linguagem própria é um divisor de águas.

“O corpo é o reflexo da alma e ele não sabe mentir; ele expressa o que as palavras tentam esconder.”

Porquê ler em janeiro: Janeiro é sobre presença. Aprender a ler os sinais do teu corpo — e o dos outros — melhora a tua inteligência emocional. É uma ferramenta prática para “ouvir” o que o teu corpo está a tentar dizer e ocupar o teu espaço com consciência.

A Liberdade é uma Luta Constante — Angela Davis

Foco: consciência social e força

Angela Davis tira-nos da nossa bolha de autocuidado individualista. Ela conecta as lutas locais com as globais, mostrando que ninguém é verdadeiramente livre enquanto outras mulheres estiverem oprimidas e discute as interligações entre as diversas lutas por justiça social ao redor do mundo. 

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O conceito chave é a “Interseccionalidade e a Coletividade”. Davis ensina que a nossa “revolução” pessoal precisa de transbordar para a comunidade. A liberdade não é um estado de espírito, é uma prática diária de justiça e um processo contínuo de vigilância e ação coletiva.

“A liberdade é uma luta constante. Não é algo que se encontra, é algo que se constrói todos os dias através da resistência e da solidariedade.”

Porquê ler em janeiro: Para que as tuas intenções de 2026 não fiquem presas apenas ao “eu”. Serve para nos lembrar que as nossas resoluções de ano novo podem (e devem) incluir o impacto que causamos no mundo. É uma leitura que expande a consciência e te faz começar o ano entendendo que ser livre exige consciência e propósito coletivo. Como podemos usar a nossa voz e o nosso privilégio para elevar outras mulheres em 2026?

O Conhecimento como Bússola para 2026

Escolher um livro para começar o ano é mais do que preencher o tempo; é decidir quais sementes queremos plantar na nossa mente. As quatro obras que selecionamos para este mês não foram escolhidas ao acaso. Elas formam um ecossistema de apoio para quem deseja um ano de verdadeiras mudanças: a Lori acolhe a nossa história, a Brené liberta a nossa coragem, Pierre e Roland ensina-nos a presença corporal e a Angela desperta-nos para o mundo.

Expandir a consciência é um processo contínuo e, muitas vezes, silencioso. Acontece naquela página que te faz parar e respirar fundo, ou naquela frase que parece ter sido escrita exatamente para o momento que estás a viver. Que em 2026, a tua lista de leituras seja o teu refúgio e o teu mapa. Que cada capítulo lido te aproxime mais da mulher que desejas ser: conectada, consciente e profundamente autêntica.

Lembrando que o sucesso de um novo ano não se mede apenas pelo que conquistamos lá fora, mas pelo quanto expandimos aqui dentro. Boa leitura e um excelente início de ciclo!

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