Das pistas para as passarelas: como a cultura do esqui e snowboard se tornou na mais recente obsessão da alta costura

  • Estilo de Vida
  • Moda
  • Das pistas para as passarelas: como a cultura do esqui e snowboard se tornou na mais recente obsessão da alta costura

Numa altura em que o mundo se prepara para os Jogos Olímpicos de Inverno em fevereiro de 2026 e para o retiro GOB em Andorra no mês de março, as marcas de luxo estão a apropriar-se dos códigos visuais dos desportos de neve, misturando performance técnica com estética fashion. De puffers que esgotam em minutos a colaborações inesperadas, esta tendência funde o mundo da alta costura com a sub-cultura do esqui e do snowboard, tornando-a apetecível mesmo para quem nunca pisou uma montanha. Nas redes sociais, o “ski core” explode – e já não pode ser ignorado.

O boom do “ski core”: De sub-cultura a tendência global

Outrora reservados a elites com chalés em Aspen ou na Suíça, o esqui e o snowboard eram sinónimos de “old money” e escapadelas luxuosas. Mas em 2025, esta sub-cultura transformou-se na mais recente obsessão da alta costura, com marcas de elevado prestígio a estilizar e a trazer para as passarelas elementos (até aqui) exclusivos dos desportos de neve, desde puffers oversized a acessórios après-ski.

De acordo com um relatório da Global Growth Insights, divulgado a 15 de dezembro de 2025, o mercado global de luxury skiwear está atualmente avaliado em cerca de 2 mil milhões de dólares, prevendo-se que atinja os 3,3 mil milhões até 2035. O “ski core” – uma tendência estética ligada ao esqui e snowboard que combina moda, lifestyle e elementos visuais típicos dos desportos de neve – segue o rasto de tendências como o “tennis core” em 2024 ou a febre da F1 em 2025, mostrando como desportos de elite se transformam em referências de estilo. As coleções de inverno esgotam em minutos, impulsionadas por criadores de conteúdo que constroem comunidades de milhões em torno desta estética.

Não é coincidência: com o crescimento das redes sociais, roupas outrora exclusivas às pistas agora desfilam em cidades, provando que o esqui e snowboard deixaram de ser um desporto para se tornar um statement cultural. E as marcas de luxo? Elas estão a capitalizar, fundindo tradição alpina com inovação urbana e criando peças que equilibram funcionalidade e design.

Moncler Grenoble: Patrocínio olímpico com sabor brasileiro

A Moncler Grenoble está na vanguarda desta apropriação, anunciando em dezembro de 2025 o seu regresso aos Jogos Olímpicos de Inverno como patrocinadora da equipa de esqui alpino da Confederação Brasileira de Desportos na Neve. Para os Jogos de Milão-Cortina 2026, a marca italiana vestirá os atletas brasileiros com uniformes que misturam “paixão brasileira” e “precisão desportiva”, como destacado na sua campanha. Esta parceria não é só sobre performance: é uma declaração estética, com puffers isolantes e fatos técnicos que evocam o luxo alpino, mas com um twist tropical. Lucas Pinheiro Braathen, o esquiador brasileiro-norueguês que lidera a equipa, personifica esta fusão – um atleta de elite que traz diversidade para um desporto historicamente branco e europeu. Com preços a partir de 200 euros por peça, a coleção Grenoble estiliza o snowboard e o esqui, combinando tecnologia premium com estética de alta costura. É o luxo a colonizar a neve, um patrocínio de cada vez.

FARM Rio + Whitespace: Tropicalidade nas Pistas de Neve

Outro exemplo da improvável fusão entre o calor brasileiro e as pistas de ski é a mais recente colaboração entre a FARM Rio – marca de moda fundada em 1997 no Rio de Janeiro, conhecida por estampas vibrantes e coloridas, com inspiração na flora, fauna e cultura brasileiras – e a WHITESPACE, marca de equipamento técnico para desportos de neve fundada pelo lendário snowboarder Shaun White. Em novembro do ano passado, a sub-cultura do “ski core” recebeu um sopro de cores e irreverência tropical: White, tricampeão olímpico e ícone global do snowboard, trouxe para a coleção a sua visão de performance extrema combinada com um estilo irreverente. O resultado mistura a expertise técnica para neve da WHITESPACE com os estampados intensos e exóticos da FARM, dando origem a puffers acolchoados, calças de esqui e acessórios que parecem sair de uma passarela carioca, mas preparados para enfrentar qualquer encosta gelada. Lançada online e em boutiques selecionadas, com preços entre 180 e 750 euros, a linha esgotou rapidamente, provando que o “ski core” não conhece fronteiras — nem de clima, nem de cultura.

Jacquemus + Nike: Montanha e moda em sintonia urbana

Quando o designer francês Simon Porte Jacquemus se uniu à Nike para lançar a sua primeira coleção de esqui em novembro de 2025, o mundo da moda aplaudiu. Esta colaboração de 18 peças, disponível online e em lojas selecionadas, traz silhuetas “construídas para velocidade e suavidade”, com tecidos impermeáveis GORE-TEX que resistem a tempestades de neve, mas com o corte elegante de uma passarela parisiense. Jacquemus, conhecido pelo seu estilo provençal, estilizou a sub-cultura da neve ao misturá-la com elementos urbanos – pensa em fatos de esqui justos ao corpo, jaquetas de camada tripla e calças com proteção contra o vento, tudo em tons neutros e minimalistas que gritam alta costura. Lançada a 26 de novembro no site de Jacquemus e a 3 de dezembro na Nike, a linha esgotou rapidamente em pré-venda, provando o apelo do “après-ski” chique. Com preços entre 160 e 950 euros, esta collab não é só para atletas: é para quem quer levar o espírito das montanhas para o dia-a-dia, tornando o esqui e o snowboard em símbolos de estatuto social e estilo de vida exclusivo.

Balenciaga Skiwear: Luxo extremo das pistas de neve para as ruas da cidade

Em novembro do ano passado, a Balenciaga lançou a coleção Skiwear 2025, elevando a estilização do esqui a patamares surreais. Com parkas oversized, jaquetas puffer, hoodies térmicos e acessórios técnicos como capacetes, óculos e bastões, esta linha de alta performance custa entre 1300 (hoodies) e 3500 euros (parkas). Apresentada numa campanha filmada pelo escocês Aidan Zamiri, que enfatiza a versatilidade das peças “slope‑to‑street” (da pista para a cidade), a coleção usa tecidos de alta performance como ripstop impermeável, fleece, nylon resistente e isolamento leve, misturando espírito alpino com sofisticação urbana. A Balenciaga vendeu milhares de unidades em pré-lançamento, provando que o ski e o snowboard não são mais nicho: são alta costura. Imagina desceres uma encosta com um casaco forrado em pele que protege contra ventos fortes, mas que também serve para um brunch em Milão. É o luxo a redefinir o “ski core”, tornando-o apetecível mesmo para quem nunca viu neve, mas adora a vibe.

H&M e Oysho: A democratização do “ski-core”

Nem só de alta costura vive esta tendência: a colaboração H&M x Perfect Moment, lançada a 2 de dezembro de 2025, traz o “ski core” para as massas com 28 peças inspiradas no après-ski de Chamonix. Fundada por um antigo esquiador profissional na famosa cidade francesa dos Alpes, a Perfect Moment une-se à H&M para oferecer puffers forrados em pele sintética, malhas de merino e acessórios como gorros de aviador, tudo a partir de 50 euros. Com padrões geométricos de inspiração vintage e design pensado para a mobilidade, a coleção vai além de estilizar a sub-cultura do esqui e do snowboard: ela torna-a acessível, mostrando que o luxo também pode ser democrático.

Também a Oysho lançou em novembro de 2025 a sua Ski Collection 2025/2026, uma linha técnica e acessível que une performance e estilo. Com jaquetas acolchoadas, fatos de neve impermeáveis, base layers sem costura, malhas de merino e acessórios como luvas e óculos, as peças resistem a baixas temperaturas e à água, permitindo conforto urbano com vibe de pista. Tons neutros e detalhes pearl refletem o espírito das paisagens de inverno, aproximando o “ski core” das massas.

A Neve como o Novo Statement de Luxo

A ascensão do “ski core” reflete uma mudança de paradigma onde a funcionalidade extrema do desporto encontra o simbolismo aspiracional do luxo. Seja através do patrocínio estratégico da Moncler nos Jogos Olímpicos de 2026, das colaborações conceptuais de Jacquemus ou da democratização estética proposta pela H&M e pela Oysho, o universo da neve consolidou-se como o novo palco da autoexpressão contemporânea.

Mais do que uma simples tendência passageira, esta fusão entre as pistas e as passarelas demonstra que o esqui e o snowboard foram definitivamente descodificados: deixaram de ser apenas modalidades técnicas para se transformarem num lifestyle global, onde camadas de GORE‑TEX e silhuetas oversized ditam o prestígio social nas grandes cidades, mesmo para quem nunca pisou na neve ou deslizou por uma montanha gelada. Afinal, descer a encosta pode ser opcional, mas estar vestido para isso tornou-se obrigatório.

NEWSLETTER

Inscreva-se na nossa newsletter e faça parte desse movimento que conecta ideias, histórias e transformações.
Receba conteúdos inspiradores, eventos, projetos e oportunidades diretamente no seu e-mail.

Artigos Relacionados

janeiro 25, 2026

Surfe no skyline: São Paulo inaugura a era da praia urbana de luxo

janeiro 24, 2026

Moda com propósito: Como Amit Levy está a transformar resíduos em estilo consciente

Mais conteúdos

Faça parte da (r)evolução

Coming Soon