O “país mais apaixonado pelo skateboard do mundo”, segundo a própria World Skate, será palco da maior competição mundial da modalidade
O Brasil está prestes a tornar-se o centro do skate mundial. A World Skate, federação internacional que rege a modalidade, anunciou oficialmente que São Paulo vai acolher os Campeonatos Mundiais de Skateboard Street e Park, entre 1 e 8 de março de 2026.
Pela primeira vez na cidade, as duas disciplinas olímpicas — Street e Park — vão disputar-se no mesmo evento. O evento inclui ainda a estreia da primeira Copa do Mundo de Paraskate (skate adaptado), reforçando a aposta na inclusão.
O campeonato, inicialmente previsto para Washington (EUA) em 2025, foi adiado e transferido para o Brasil, em parceria com a Skate Total Urbe (STU), organização brasileira que promove o skate como desporto e cultura urbana. Os resultados contam para o ranking mundial e são decisivos na qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. O Brasil é considerado o país mais apaixonado pelo skate do mundo pela própria World Skate, e este Mundial reforça essa liderança.
Datas e Local: Um parque público como palco global
As provas realizam-se de 1 a 8 de março de 2026 no Parque Cândido Portinari, junto ao Parque Villa-Lobos, na zona oeste da capital paulista. Os primeiros dias serão dedicados a treinos e sessões livres, com as competições principais entre 4 e 8 de março.
Este formato permite que os atletas se adaptem ao local e ao ambiente, enquanto o público pode acompanhar desde os treinos abertos até às batalhas decisivas. Espera-se uma afluência recorde de espectadores, com transmissão mundial garantida e uma atmosfera vibrante num dos parques públicos mais icónicos e acessíveis da cidade — um espaço verde que já é ponto de encontro da comunidade skater local.
A modalidade Street reproduz o ambiente urbano real, com obstáculos típicos da rua como escadas, corrimões, bumps, gaps e rails, onde os skatistas executam manobras rápidas, grinds, slides, flips e combos com grande precisão e criatividade. É um estilo técnico e exigente, no qual os atletas constroem linhas fluidas ligando vários tricks em sequência. O formato habitual inclui duas ou três corridas (“runs”) de 45-60 segundos, sendo esta a disciplina mais próxima das origens do skate de rua.
Já a modalidade Park acontece num bowl de cimento estilizado, com rampas, quarter pipes, bowls profundos e bumps que permitem ganhar velocidade e altura. Aqui o foco está no flow contínuo, nos aéreos altos, spins, grabs e linhas criativas que exploram ao máximo o terreno, valorizando a amplitude, a consistência e o uso inteligente do bowl. As corridas duram geralmente 45 segundos cada (três tentativas).
Os destaques
O grande destaque, sem dúvida, fica para a nossa “Fadinha”. A Rayssa Leal acabou de vencer a primeira etapa da SLS (Street League Skateboarding) 2026 em Sydney, na Austrália, ocorrida em 15 de fevereiro, garantindo o topo do pódio após uma virada emocionante nas manobras individuais. Na final, Rayssa superou a japonesa Liz Akama, que ficou em segundo lugar, e a australiana Chloe Covell, terceira colocada, enquanto outras finalistas como Coco Yoshizawa, Momiji Nishiya e Funa Nakayama também foram derrotadas. Esta vitória em Sydney, somada à histórica conquista do SLS Super Crown 2025 em São Paulo, onde se tornou tetracampeã consecutiva da liga superando justamente Liz Akama e Chloe Covell, reafirma sua posição de líder global do Street feminino e aumenta as expectativas para o Mundial em casa, em março de 2026. Rayssa se destaca pelas linhas técnicas impecáveis, flips e grinds de altíssimo nível, prontos para encantar a torcida brasileira no Parque Cândido Portinari.
Além dela, Pamela Rosa, uma das grandes veteranas do Street feminino, traz experiência, consistência e execução de manobras complexas, sendo presença constante em pódios internacionais. O Japão mantém força total com Momiji Nishiya, jovem prodígio e medalhista de ouro olímpica em Tóquio 2020, além de Yumeka Oda e Liz Akama, que frequentemente completam pódios em mundiais e etapas da World Skate. Outra revelação a acompanhar é a australiana Chloe Covell, de apenas 16 anos, que já coleciona medalhas no World Skateboarding Tour e pódios internacionais desde muito jovem, incluindo participações marcantes em World Championships e X Games, mostrando tricks pesados e consistência fora do comum. No Park feminino, o Brasil também brilha com Raicca Ventura e Isadora Pacheco, prontas para surpreender e levar o país ao pódio numa das modalidades mais técnicas e criativas.
No lado masculino, o português Gustavo Ribeiro destaca-se como referência europeia no Street, com pódios em etapas importantes e presença regular entre os melhores do mundo. Outros portugueses promissores, como Gabriel Ribeiro, Pacal Teixeira e Matilde Ribeiro, reforçam a crescente presença de Portugal no skate internacional. Já o Brasil entra no Mundial com força total: no Street masculino, nomes como Giovanni Vianna, Kelvin Hoefler, Felipe Gustavo, Wallace Gabriel e Ivan Monteiro figuram entre os mais bem ranqueados globalmente; no Park masculino, Pedro Barros, Augusto Akio, Luigi Cini, Pedro Quintas e Gui Khury representam a criatividade, velocidade e técnica brasileira nas transições e curvas dos bowls.
Além desses atletas, nomes consagrados de outras nações também prometem elevar o nível da competição, incluindo o americano Nyjah Huston e o japonês Yuto Horigome no Street, e o australiano Keegan Palmer no Park. Países como Espanha, França, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Suíça também enviam talentos emergentes, reforçando que o Mundial em São Paulo reunirá a elite global do skate, em plena diversidade, criatividade e técnica de alto nível.
Esta combinação de talentos, desde a precisão de Rayssa, passando pela força técnica de Gustavo Ribeiro, até os estilos únicos das principais figuras internacionais, consolida um momento histórico para o skate. O Mundial em São Paulo promete ser uma celebração da diversidade, habilidade e paixão que definem o esporte atualmente, reunindo a elite mundial do Street e Park, com inclusão em primeiro plano e a torcida brasileira pronta para vibrar com cada manobra.
Inclusão em primeiro plano: a estreia da Copa do Mundo de Paraskate
O evento entra para a história com a primeira Copa do Mundo de Paraskate, reunindo dezenas de atletas em competições adaptadas. Esta estreia marca um passo decisivo na agenda de inclusão da World Skate, que reconhece o Paraskate como parte integrante do desporto e reforça o compromisso com a diversidade, especialmente num ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028 — onde o skate continua a crescer, mas o Paraskate ainda procura o seu lugar nos Jogos Paralímpicos.
O Brasil, um dos países de referência na promoção do Paraskate, tem uma cena consolidada e vibrante, impulsionada pela STU (Skate Total Urbe) através do circuito STU Paraskate, que inclui etapas nacionais (com participação internacional pontual) desde há vários anos. Atletas como Vinicios Sardi (fundador e presidente da Associação Brasileira de Paraskate — ABPSK, multicampeão em etapas do STU e voz ativa pela inclusão) e Felipe Nunes (um dos mais titulados do país, com vitórias recentes em Street e Park no circuito brasileiro, incluindo ouros em etapas como Curitiba, Rio e Brasília) vão ter a oportunidade única de brilhar num palco global. Estes paratletas, que já competem ao mais alto nível nacional e internacional, representam a força do movimento brasileiro e podem inspirar uma nova geração, elevando o Paraskate a um patamar inédito.
Por que não podes perder este Mundial?
Com cerca de 400 atletas de todo o mundo, o Mundial de Skate de Street e Park une elite, inclusão e cultura urbana. São Paulo, que já recebeu o Mundial de 2019 e a SLS Super Crown em 2025, confirma-se como um dos maiores epicentros da modalidade a nível global. O Brasil vai vibrar com o melhor skate do mundo em março, num evento que promete ser um marco de visibilidade, emoção e representatividade — e a prova de que o skate é para todos.