Surf REC: a tecnologia que filma as ondas sem ninguém precisar de segurar na câmara

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Uma startup portuguesa lançou um sistema que grava automaticamente as sessões de surf e entrega o vídeo pronto em minutos. Para os surfistas que querem rever as suas surfadas numa perspetiva de progressão (corrigir eventuais erros nas próximas idas ao mar) ou simplesmente registá-las como recordação, a Surf REC oferece a liberdade de poderem surfar sem terem de pedir a alguém que fique em terra a filmar.

O fim da frase “podes filmar-me?”

Quantas vezes já aconteceu: estão altas ondas, o grupo é pequeno e ninguém quer ficar em terra com a câmara na mão. A Surf REC, criada em 2017 mas a operar no terreno desde 2023, resolve este problema com uma solução que parece simples mas que resulta de tecnologia altamente refinada.

Na areia, uma câmara fixa de alta resolução está ligada a um bracelete GPS que cada surfista usa no braço. Quando a pessoa apanha a onda, o sistema reconhece o movimento e segue-a automaticamente, gravando toda a sessão. No final, são disponibilizados vídeos na app apenas do segmento útil (ondas efetivamente surfadas, desde a remada até sair da onda), prontos para descarregar ou partilhar.

A ideia central é permitir que os surfistas se concentrem em surfar, enquanto a tecnologia cuida da filmagem – a solução perfeita para quem quer registrar as suas sessões sem depender de amigos ou equipamentos manuais, especialmente surfistas iniciantes que procuram aperfeiçoamento ou atletas que desejam monitorizar os seus treinos.

Para já, a Surf REC está apenas baseada na praia de Ribeira d’Ilhas, na Ericeira, com expansão prevista para a praia de Carcavelos, em Cascais, já este mês. O preço é de 0,25€ por minuto de sessão filmada, sem subscrições obrigatórias. “You Surf. We Film.” (“Tu Surfas. Nós Filmamos.”) é o lema desta plataforma que quer democratizar a gravação de ondas e o coaching de surf.

Como funciona a tecnologia por trás da bracelete

A bracelete não é um simples fitness tracker; combina RFID com GPS de alta precisão. “A câmara limita-se a apontar para onde o seu alvo lhe parece estar, independentemente de ter ou não contacto visual”, explica Afonso Maya, COO e fundador da Surf REC. “É por isto que o RFID é um uma boa base tecnológica para a nossa solução. Em termos de performance do seguimento, a câmara vai sempre manter o seu comportamento normal”, conclui.

“Apesar de não ser uma tecnologia muito avançada, em ambiente aquático, é sempre um grande desafio. Sabemos que já atingimos o limite do que esta tecnologia nos pode dar sozinha, e estamos agora a introduzir ferramentas de AI e Computer Vision como agentes de apoio à decisão da câmara”, acrescenta.

A câmara, por sua vez, é uma unidade 4K 60 fps com lente grande angular e estabilização eletrónica, montada num ponto estratégico da praia. O plano de expansão consiste numa rede nacional, inicialmente com 12 unidades de filmagem, 24 na fase seguinte. “Após validação do mercado nacional, vamos à conquista dos principais mercados globais em modelo franchising”, ambiciona Afonso Maya.

O futuro: online coaching

A Surf REC tem crescido lenta mas sustentadamente. O modelo pay-per-minute tem atraído um número crescente de surfistas que finalmente vêem resolvido um problema comum no surf: a automação total, sem pressão de ser filmado manualmente. “O pay-per-minute é um modelo particularmente feliz no caso das filmagens, pois permite ao surfista uma flexibilidade na escolha dos momentos em que é filmado. Está previsto mais tarde lançar um modelo de subscrição”, adianta Afonso.

Embora o foco atual seja a entrega imediata do vídeo, o roadmap inclui uma funcionalidade que pode mudar a forma como os surfistas evoluem: o online coaching. Na fase de expansão, a Surf REC irá incluir feedback personalizado de treinadores certificados ao redor do mundo, com base nas filmagens captadas e disponibilizadas pela plataforma, permitindo que qualquer surfista receba orientação personalizada mesmo quando surfa sozinho ou longe das escolas tradicionais.

O coaching automático, integrado via IA, também está em cima da mesa, embora não seja o foco principal. “Já há alguns modelos [de IA] treinados que, embora ainda um pouco imaturos, já entregam alguma coisa”, diz Afonso Maya. “Mas, nesta área, não vejo a IA como a tendência incontornável e dominadora. Há certas coisas que os humanos fazem melhor do que as máquinas, por muito inteligentes que sejam. Vejo o coaching automático como uma opção mais barata mas não ambicionamos evoluir para um modelo único. Nós conhecemos o valor da interação, da intuição e da sensibilidade humana. Isso é o que que somos e o que queremos entregar”, garante.

Porque é que isto importa para a comunidade feminina

Num desporto onde as mulheres ainda são minoria nos line-ups mais concorridos, ter acesso fácil a imagens de qualidade permite acelerar a curva de aprendizagem e ganhar confiança mais rapidamente. Ver-se de fora, perceber onde está a atrasar o bottom turn ou a abrir demais os braços, já não depende de ter um treinador ou um amigo paciente na praia. A tecnologia coloca o poder de análise nas mãos de quem surfa.

A Surf REC ainda está a crescer, mas os sinais são claros: quando a barreira tecnológica desaparece, mais surfistas – especialmente as que sempre surfaram sozinhas ou em grupos pequenos – ganham acesso a uma ferramenta que até há pouco era privilégio de quem tinha uma rede de apoio. E, no surf, ver-se melhorar é metade do caminho para não querer parar nunca mais.

A primeira academia global de surf

“Daqui a 5 anos queremos estar consolidados na Europa, no Brasil, EUA e Austrália, a expandir para mercados complementares”, prevê Afonso Maya. “Sendo que a nossa missão é o coaching, nessa altura seremos certamente a primeira academia de surf global”, ambiciona.

Para já, o momento é de captação de investimento que permita escalar a plataforma – crescer a rede de unidades de filmagem de local para nacional –, sustentar novos desenvolvimentos (IA & Computer Vision) e implementar o online coaching. “Precisamos muito de crescer a equipa. Precisamos de internalizar recursos chave e externalizar a produção do hardware. Precisamos de muita (e boa) comunicação”, enumera Afonso.

Enquanto as ondas não param, a Surf REC prepara-se para transformar cada sessão solitária numa aula com treinador – e, em breve, qualquer praia do mundo pode ser a sala de aula de quem já não precisa de alguém em terra a filmar.

*fotos Surf REC

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