Por Monica Rocha
A vida não se explica, habita-se. Se você me perguntar como cheguei até aqui, eu digo que foi pelo movimento. Começou cedo, aos cinco anos, e aos 18 eu já estava dando as minhas primeiras aulas. Mas eu sempre quis ir além da forma; queria entender a verdade que o corpo guarda. Foi essa busca que me levou à Escola e Faculdade Angel Vianna, referência no mundo das artes e da dança.
Ali, me especializei como bailarina contemporânea e terapeuta em educação somática, mergulhando em métodos como Feldenkrais, Eutonia, Alexander e outros. Com Angel, entendi que o corpo não é apenas estética, é consciência.
Sou capricorniana com lua em câncer e ascendente em aquário: tenho o pé no chão, o coração no sentir e a alma livre. Aos 27 anos, tive o meu filho, o Lucas, hoje com 32. Ele nasceu em um parto na água, uma escolha pela identificação e busca pela paz. Naquela época, o parto convencional me trazia medo e nem se falava em “Sagrado Feminino”, mas eu já vivia esse instinto. Hoje, aos 59, vejo que essa busca pelo orgânico sempre foi a minha bússola.
Minha estrada artística passou pelo Ateliê Coreográfico com Regina Miranda — uma das maiores especialistas em Laban Movement Analysis (LMA) e ex-diretora do Laban/Bartenieff Institute em Nova York. Segui como bailarina residente no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, maior Centro da Dança na América Latina.
Estar naquele caldeirão de criação até 2017 moldou quem sou. Mas foi o livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, que me deu o chão espiritual. O trabalho dela com os arquétipos tornou-se meu DNA, ensinando-me que o movimento resgata a nossa intuição. O corpo também me levou para a saúde: fiz pós-graduação em Gerontologia e Geriatria na UERJ, focada em ajudar o outro a envelhecer com presença.
Na vida pessoal, a estrutura também se moveu. Depois de 18 anos casada, vivi o divórcio e não tive medo da solitude. Foram quatro anos sozinha afetivamente, mas profundamente conectada com outras vertentes da vida e com o meu autoconhecimento, até decidir que só voltaria a compartilhar a vida com alguém conectado à minha essência. Foi então que a arte me apresentou o Renato Velasco. O encontro foi tão real que em seis meses estávamos juntos.
Há oito anos e meio em Portugal, minha história ganhou novos contornos na mídia digital. Hoje, sou coautora do livro “Conversas Maduras” e colunista de revistas de saúde, mas meu propósito atual é o podcast Território Mulher com Mônica Rocha. Ali, uso a comunicação afetuosa para dar voz a outras terapeutas. Entendo que a voz faz parte do corpo e é a expressão máxima de quem somos. Meu trabalho é dar suporte para que terapeutas vençam o medo e aprendam a comunicar a potência do que fazem, transformando a segurança interna em voz no mundo.
Sigo guiada pela escuta e por essa força que transforma cada gesto em um fluxo de vida. No fundo, a vida é uma criação constante, não acha?