Os Jogos Olímpicos de Inverno 2026 aproximam-se a passos largos, trazendo a emoção pura dos desportos de neve e gelo diretamente dos Alpes italianos. Espera-se que cerca de 2900 atletas de aproximadamente 90 países participem, competindo em 116 eventos medalháveis distribuídos por 16 disciplinas, o que faz destas Olimpíadas as mais inclusivas da história recente. Com atletas de todo o mundo a darem tudo pela glória, o evento promete emoções fortes, desafios extremos e performances que ficarão na história.
Onde e quando: O palco italiano da maior festa do inverno
Os Jogos Olímpicos de Inverno 2026, oficialmente conhecidos como Milano Cortina 2026, vão decorrer em duas cidades principais: Milão, a vibrante metrópole da moda e da inovação, e Cortina d’Ampezzo, a jóia dos Alpes italianos conhecida pelas suas pistas lendárias. Este será o primeiro evento olímpico de inverno a ser organizado em duas cidades-sede simultaneamente, espalhando a ação por regiões como a Lombardia e o Veneto, no nordeste de Itália.
A escolha destas localizações não é por acaso – Cortina já hospedou os Jogos em 1956, trazendo uma pitada de nostalgia, enquanto Milão adiciona um toque urbano e moderno ao evento. As competições começam oficialmente a 6 de fevereiro e prolongam-se até ao dia 22 do mesmo mês, com algumas provas preliminares a arrancarem logo no dia 4. Vão ser mais de duas semanas de ação intensa, com temperaturas gélidas a contrastarem com o calor da competição.
As modalidades em destaque: velhos clássicos, disciplinas inovadoras e uma novidade

Reprodução: www.olympics.com

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Nos Jogos de Milano Cortina, as modalidades vão desde clássicos intemporais até novidades que aceleram o pulso.
No esqui alpino (downhill), os atletas enfrentam descidas íngremes e geladas a mais de 140 km/h, onde cada centésimo de segundo conta e um erro mínimo pode ser fatal. É a expressão máxima de coragem, controlo e adrenalina pura.
Já no snowboard, especialmente no halfpipe e no big air, o foco está no ar: manobras de alta dificuldade, rotações múltiplas e truques que desafiam a gravidade transformam cada run num espetáculo de criatividade e ousadia. O freestyle skiing acrescenta ainda mais espetáculo, com saltos recheados de flips e twists que fazem o impossível parecer real.

Reprodução: www.olympics.com

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O salto de esqui leva o conceito de voo ao limite, com atletas a planarem mais de 140 metros no ar após uma descida de rampa vertiginosa, combinando potência, técnica e elegância num momento de silêncio suspenso.
E, para quem acha que a adrenalina não pode ser maior, chega o skeleton: os atletas deitam-se de barriga para baixo, cabeça à frente, no trenó, com o rosto a escassos centímetros do gelo, enfrentando descidas vertiginosas a velocidades que chegam aos 140 km/h e forças G até 5 vezes a gravidade normal. Um sprint inicial explosivo para ganhar impulso, seguido de uma mergulho no trenó e uma navegação precisa apenas com movimentos subtis do corpo – ombros, joelhos e pés – para guiar pelas curvas traiçoeiras. É o desporto de deslize mais intimidante e corajoso dos Jogos de Inverno, onde cada vibração do gelo se sente na pele e um erro mínimo pode custar caro.
O biatlo é um dos desportos mais intensos e fascinantes dos Jogos Olímpicos de Inverno: uma combinação perfeita entre esqui de fundo e tiro com riffle. Os atletas carregam uma espingarda pequena às costas (calibre .22) enquanto esquiam em pistas de cross-country; durante a prova, param em sessões de tiro (geralmente duas a quatro, dependendo do formato), onde disparam cinco tiros por sessão contra alvos a 50 metros de distância. Imagina esquiar a toda a velocidade, com o coração aos saltos, e depois parar para atirar com precisão cirúrgica – é aí que o biatlo brilha, testando não só a resistência física, mas também a concentração mental.
Para os fãs dos desportos de equipa, o hóquei no gelo traz seleções nacionais a batalharem por golos em ringues lotados de emoção. O curling, muitas vezes chamado de “xadrez no gelo”, destaca-se pela estratégia e precisão milimétrica que decidem vitórias. Já no bobsleigh, quatro atletas lançam-se dentro de um trenó a mais de 130 km/h por pistas de gelo cheias de curvas apertadas e paredes inclinadas, num verdadeiro teste de nervos, coordenação e trabalho de equipa.

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Uma novidade entusiasmante em 2026 é o ski mountaineering, introduzido pela primeira vez como disciplina olímpica: uma prova exigente que combina escalada e descida em alta montanha, obrigando os atletas a subirem encostas íngremes totalmente equipados e, de seguida, descerem a alta velocidade por terrenos altamente técnicos e imprevisíveis. É um teste extremo de endurance, estratégia e resistência mental, onde a ligação direta à montanha leva o espírito dos Jogos de Inverno às suas raízes mais autênticas.
Ao todo, serão 16 modalidades em disputa, incorporando a tradição dos desportos de inverno com inovação e ênfase na igualdade de género: pela primeira vez, as distâncias em esqui cross-country serão iguais para homens e mulheres em todos os eventos.

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Países e atletas: Uma celebração global de talentos
Com cerca de 2900 atletas de mais de 90 países, os Jogos de 2026 prometem uma diversidade impressionante, refletindo o espírito olímpico unificador. Países tradicionais como a Noruega, Alemanha e Estados Unidos, que dominaram os pódios em edições passadas, vão enviar contingentes robustos – a Noruega, por exemplo, liderou em Pequim 2022 com 16 medalhas de ouro.
Mas há espaço para surpresas: nações emergentes em desportos de inverno, como a Nova Zelândia em snowboard ou a Coreia do Sul em patinagem, adicionam imprevisibilidade. A Itália, como anfitriã, ambiciona superar as suas 17 medalhas de Turim 2006, com estrelas locais em esqui alpino e biatlo.
Atletas femininas ganham destaque, especialmente em modalidades como freestyle e snowboard, onde a paridade é cada vez maior – as mulheres representam quase metade dos participantes, um avanço desde a estreia feminina nos Jogos de Inverno de 1924 – desenvolveremos este tema num novo artigo brevemente disponível.
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Figuras a vigiar incluem a esquiadora norte-americana Mikaela Shiffrin, à procura de novos recordes em alpino, e o snowboarder japonês Ayumu Hirano, mestre em halfpipe. Do lado europeu, a francesa Tessa Worley em esqui e o norueguês Johannes Thingnes Bø em biatlo são nomes quentes. Com qualificações quase concluídas a esta data de janeiro de 2026, espera-se que países como o Canadá, a Suíça e a Áustria enviem equipas de elite, enquanto nações tropicais, como a Jamaica, prometem dar luta (em particular no bobsleigh) trazendo histórias inspiradoras de superação.
No total, serão distribuídas 348 medalhas, com foco na inclusão – um recorde que transforma estas Olimpíadas nas mais equilibradas de sempre em termos de género, com 50 eventos femininos (um máximo histórico) e uma participação quase paritária entre atletas homens e mulheres.

Reprodução: Comité Olimpico do Brasil

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Curiosidades e legado: Porquê estes jogos vão ficar na história
Além da competição pura, os Jogos de 2026 trazem curiosidades que os tornam inesquecíveis. Sabias que:
- Será a primeira vez que duas chamas olímpicas ardem simultaneamente, uma em Milão e outra em Cortina, simbolizando a união das cidades.
- As mascotes oficiais são os adoráveis irmãos doninhas Tina (olímpica, de Cortina) e Milo (paralímpica, de Milão) – nomes carinhosos das cidades-sede e símbolos de inclusão e diversão.
- O evento inclui uma forte vertente de consciencialização ambiental, com mascotes inspiradas na fauna alpina e 25 venues espalhados por quatro clusters, garantindo a acessibilidade e reduzindo as deslocações. Muitos venues usam energia renovável e são reutilizados dos Jogos de 1956 ou existentes, tornando Milano Cortina 2026 um dos eventos mais sustentáveis da história olímpica de inverno.
- Pela primeira vez desde 2014, jogadores da NHL vão participar no torneio de hóquei no gelo, prometendo duelos épicos com estrelas como Connor McDavid e Sidney Crosby.
- A competição contará com a participação de várias nações de climas quentes ou tropicais, como o Brasil (esqui alpino e skeleton), Singapura (esqui alpino, estreia destacada), Haiti (esqui cross-country), Tailândia, Filipinas e Eritreia (esqui alpino) e México (várias modalidades, participação recorrente). Algumas fontes mencionam possíveis estreias como Benin, Guiné-Bissau e Emirados Árabes Unidos, mas ainda não confirmadas oficialmente.
- A Singapura, o país equatorial sem neve natural, estreia-se no esqui alpino com o jovem Faiz Basha (23 anos), que será o porta-bandeira na cerimónia de abertura – uma inspiração para nações asiáticas tropicais.
- A cerimónia de abertura contará com atuações de Mariah Carey e Laura Pausini.
- A cerimónia de encerramento será na Arena di Verona, um anfiteatro romano com mais de 2 mil anos, com medalhas a serem entregues num palco que já viu gladiadores.

Reprodução: www.olympics.com

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Em termos de legado, Milano Cortina 2026 irá medir-se não apenas em medalhas, mas no acesso, na representatividade e na certeza de que o desporto de inverno também pertence às mulheres. O investimento em infraestruturas foi pensado para servir as comunidades muito depois da chama olímpica se apagar: pistas modernizadas, acessos melhorados e instalações adaptadas fortalecem o turismo sustentável de montanha e criam oportunidades económicas para as populações locais. Em paralelo, programas educativos e desportivos estão a ser implementados para promover a inclusão de jovens no desporto de inverno, com especial atenção à participação feminina, quebrando estereótipos e abrindo espaço para novas gerações de raparigas no gelo e na neve.
Com transmissão global, esperam-se audiências recorde e, quem sabe, talvez surjam novas estrelas virais – como aconteceu no passado com Eddie “The Eagle” Edwards (o saltador de esqui britânico foi o último em todas as provas nos jogos de 1988, mas a sua determinação – treinava sozinho, com óculos embaciados e sem patrocínios – transformou-o num ícone de superação e virou meme global, inspirando o filme “Eddie the Eagle”), Pita Taufatofua (o porta-bandeira de Tonga que apareceu na cerimónia de abertura de 2018 sem camisa, coberto de óleo e com o tradicional traje tonganês, apesar do frio glacial) ou Elizabeth Swaney (a esquiadora americana que competiu no halfpipe freestyle em representação da Hungria sem fazer um único truque – apenas desceu a pista a direito e devagar para não cair, tornando-se viral pelo absurdo).
Milano Cortina 2026 não é só desporto: é uma celebração de cultura, inovação e resiliência humana contra o frio invernal. Peguem nos cachecóis, preparem o chocolate quente e liguem as televisões – a adrenalina está prestes a começar!