Como a atleta mais bem paga de Milano Cortina 2026 equilibra Stanford, as passarelas e o topo do pódio
Eileen Gu virou um daqueles nomes que atravessam o esporte e mergulham na cultura pop e isso não acontece por acaso. A história dela chama atenção por um combo raro: multitalento real, performance em altíssimo nível e uma presença pública de respeito. Se você acompanha os esportes de inverno, sabe que Eileen não pisa na neve apenas para competir; ela pisa para redefinir o que é possível. Aos 22 anos, ela acaba de encerrar sua participação nos Jogos de Milano Cortina 2026 consolidando-se como a maior de todos os tempos em sua modalidade.
O início: Das pistas da Califórnia para o mundo
Nascida em San Francisco, em 2003, filha de mãe chinesa e pai americano, Eileen cresceu equilibrando duas culturas. Isso a levou à decisão histórica de competir pela China, país natal de sua mãe, visando inspirar milhões de jovens meninas no esporte, uma escolha que, embora tenha gerado críticas em solo americano, reforçou sua posição como uma figura global.
Como atleta de freestyle skiing (esqui estilo livre) – modalidade que mistura velocidade, manobras aéreas e muito estilo – ela domina três frentes: o Halfpipe (a pista em U), o Slopestyle (percurso com obstáculos e trilhos) e o Big Air (grandes saltos). O que a diferencia é a combinação entre dificuldade técnica e uma execução limpa, com um repertório que evolui tão rápido que, no freestyle, é considerado como um idioma próprio.
Eileen começou a esquiar com apenas 3 anos e entrou para um time de competição aos 8. O que começou como diversão nos finais de semana em Northstar revelou um talento fora da curva. Ela não queria apenas descer a montanha; ela queria voar. Aos 15 anos, já vencia sua primeira Copa do Mundo na Itália. Mas, enquanto a maioria dos atletas focava 100% no treino, Eileen tinha outros planos e para entender sua magnitude, precisamos olhar além do pódio.
A vida multifacetada: Stanford, passarelas e ativismo
O que torna Eileen Gu um verdadeiro ícone é a sua recusa em ser rotulada. No campo intelectual, demonstrou uma disciplina rara ao se formar no ensino médio um ano antes do previsto para focar nas Olimpíadas, garantindo sua vaga na prestigiada Universidade de Stanford. Lá, ela cursa Relações Internacionais em tempo integral, conciliando o rigor acadêmico com a rotina intensa de competições.
Essa dedicação se reflete em números: foi a primeira atleta de esportes livres a conquistar três medalhas em uma única edição de Jogos de Inverno (três em Pequim 2022) e agora, outras três em Milão-Cortina 2026. Segundo a Forbes, ela é a atleta mais bem paga destes Jogos, mas seu impacto vai muito além da conta bancária.
Como rosto da Vogue, Louis Vuitton e Tiffany & Co., ela usa as passarelas para expressar sua feminilidade e criatividade, provando que é possível ser uma atleta de elite sem abrir mão de uma identidade plural.
Em entrevista ao La Repubblica, ela resumiu seu segredo: “Na escola, descanso o corpo e treino a mente. Expresso-me através da moda, como no esqui. Tudo isto faz parte de quem eu sou. Agora vou participar na Semana da Moda e depois vou estudar.”
Além das manobras e do estilo impecável, outro momento que parou a internet na última semana foi a forma como ela lida com a pressão externa e a expectativa de perfeição.
“Pratas ganhas ou ouros perdidos?”
Após conquistar duas medalhas de prata (no Big Air e Slopestyle) e garantir seu lugar no pódio pela quinta vez na carreira olímpica, Eileen foi questionada por um jornalista se ela via aquelas medalhas como “dois ouros perdidos”.
A resposta dela? Uma aula de autoestima, autoconhecimento e perspectiva. Eileen não apenas riu da pergunta, mas deu uma resposta que toda mulher deveria ter na ponta da língua quando alguém tenta diminuir suas conquistas.
“Eu sou a esquiadora feminina mais condecorada da história. Acho que isso é uma resposta por si só. Ganhar uma medalha olímpica muda a vida de qualquer atleta. Fazer isso cinco vezes é exponencialmente mais difícil… A situação de ‘duas medalhas perdidas’ é uma perspectiva ridícula de se adotar.”
Confira o vídeo desse momento aqui:
Depois de dar essa resposta assertiva sobre as medalhas de prata, Eileen Gu foi para a disputa do Halfpipe (sua especialidade principal) e conquistou a medalha de ouro, o que a consolidando, de uma vez por todas, como a maior recordista da história do esqui freestyle.
O equilíbrio 360° de Eileen
O que torna o perfil dela tão interessante não é só o que ela ganha, é como ela sustenta a própria narrativa e sua capacidade de performar no seu nível mais alto e ter orgulho disso, independentemente da cor da medalha ou do julgamento alheio.
Ela estuda, modela, escreve e esquia. Nos ensinando que o verdadeiro sucesso é a liberdade de ser múltipla e a coragem de definir o próprio valor, seja no topo da montanha, em uma sala de aula de Stanford ou sob os holofotes de uma passarela.