Com os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 à porta, prepara-te para um evento histórico: quase 47% dos atletas serão mulheres, marcando o equilíbrio de género mais impressionante até hoje nestes Jogos. Distâncias iguais no esqui cross-country e mais provas mistas prometem uma competição vibrante, onde o talento feminino brilhará como nunca.
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Para a história: Os Jogos mais igualitários de sempre
Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, a decorrerem em Milão e Cortina d’Ampezzo, Itália, de 6 a 22 de fevereiro, vão ser um marco na história do desporto. Pela primeira vez, as mulheres representarão quase metade dos participantes – exatamente 47% –, superando os 45% registados em Pequim 2022. De um total de cerca de 2900 atletas, mais de 1360 serão mulheres, competindo em 50 eventos femininos, o número mais alto de sempre nos Jogos de Inverno.
Esta evolução não é por acaso – é o resultado de anos de pressão por parte de organizações como o Comité Olímpico Internacional (COI), que tem impulsionado a igualdade no desporto. Mas, para além da histórica paridade de género, o que torna estes Jogos tão especiais? Para começar, no esqui cross-country, homens e mulheres vão competir em distâncias idênticas pela primeira vez na história olímpica – incluindo a épica maratona de 50 km em partida em massa. Adeus às antigas discrepâncias onde as mulheres corriam menos quilómetros; agora, é igual para todos, o que significa que as atletas femininas vão poder mostrar a sua endurance ao mesmo nível dos homens.
E não para por aqui: haverá mais eventos mistos, como no biatlo, no salto de esqui e no curling, fomentando uma colaboração entre géneros que torna as competições mais dinâmicas e inclusivas. Pensemos nisto como uma festa na neve onde todos dançam ao mesmo ritmo – e as mulheres estão a liderar a pista. Esta paridade não só eleva o nível competitivo, mas também inspira gerações futuras, mostrando que os desportos de inverno não são só para “eles”, mas para “todas”.
Em Itália, um país com uma rica tradição desportiva, este equilíbrio vai ecoar pelas montanhas, provando que a igualdade não é uma moda, mas uma inevitabilidade. E os números falam por si: comparado com os primeiros Jogos de Inverno em 1924, onde apenas 11 mulheres participaram num total de 258 atletas, este salto para 47% é nada menos que revolucionário. As montanhas dos Alpes, outrora sulcadas maioritariamente por esquis masculinos, vão cobrir-se de um manto branco riscado por descidas de todos os géneros – finalmente, em equilíbrio quase total.

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Juntos na neve: Os eventos mistos que revolucionam 2026
A promoção da paridade de género nas Olimpíadas de Milano Cortina 2026 está também presente nos eventos mistos (onde homens e mulheres competem juntos ou em equipas equilibradas), que se prevê que atinjam o número mais alto de sempre nestes Jogos.
Estes eventos mistos incluem clássicos já consolidados, como o curling em pares mistos, o revezamento misto no biatlo, o salto de esqui por equipas, o evento por equipas na patinagem artística (que integra provas de pares, dança no gelo e individuais de ambos os géneros) e o evento misto de snowboard cross.
Mas o grande destaque vai para as novidades que reforçam a inclusão: o revezamento misto no ski mountaineering (o novo desporto de estreia, com um homem e uma mulher por equipa a alternarem subidas e descidas intensas) e as equipas mistas no skeleton (onde um homem e uma mulher realizam descidas consecutivas, somando tempos para o resultado final).
Estas adições não só aumentam a emoção das competições, com dinâmicas de colaboração e estratégia entre géneros, como contribuem diretamente para o recorde de participação de atletas mulheres, provando que a neve em 2026 será um palco de verdadeira igualdade e espetáculo partilhado.
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Assalto aos Alpes: Atletas a não perder de vista
Vamos ao que realmente anima: as estrelas femininas que vão iluminar as pistas de Milano Cortina. Uma das mais aguardadas é Mikaela Shiffrin, a rainha do esqui alpino dos EUA, que já coleciona medalhas como quem coleciona selos – com mais de 100 vitórias na Taça do Mundo, é praticamente imbatível nas descidas e slaloms. Aos 30 anos, Shiffrin está determinada a adicionar mais ouro ao seu currículo, especialmente após alguns contratempos recentes, e a sua técnica impecável faz dela uma candidata temível.
Também no esqui alpino, destaque para a italiana Federica Brignone, de 35 anos, a primeira mulher do seu país a vencer o título overall da Taça do Mundo, em 2020, e medalhada olímpica em Pequim 2022 e PyeongChang 2018. Conhecida pela sua versatilidade em giant slalom e super-G, Brignone promete lutar pelo pódio com a determinação típica de quem compete em casa – imagina o rugido da torcida local quando ela descer a Olimpia delle Tofane, em Cortina.
Não muito longe, no esqui cross-country, a norte-americana Jessie Diggins merece ser acompanhada com atenção. Campeã olímpica por equipas em 2018 e vencedora da Taça do Mundo em 2021, Diggins é conhecida pela sua resiliência – lembra-te da medalha de prata épica em Pequim, onde colapsou após cruzar a meta. Com as novas distâncias iguais, ela vai poder brilhar na prova de 50 km, provando que as mulheres não devem nada aos homens em endurance física e resistência mental.
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Passando para o snowboard, Chloe Kim, a prodígio coreano-americana, regressa para defender o seu título no halfpipe. Infelizmente, a jovem atleta sofreu uma luxação no ombro durante um treino em Laax, na Suíça, no início de janeiro, o que poderá comprometer tanto os treinos finais como a sua participação nos Jogos. No entanto, Kim mantém a esperança de estar em plena forma para competir, garantindo que a lesão não a afasta do seu objetivo. “Obviamente, o que não quero é que o ombro continue a sair do sítio, o que já aconteceu. Estou a tentar manter-me muito otimista; sinto-me muito bem com o meu nível de snowboard neste momento. Sei que assim que me derem alta e estiver pronta para competir, deverei estar bem”, declarou ela à imprensa. Aos 25 anos, famosa pelos saltos de 1080 graus que desafiam a gravidade, Kim terá de gerir cuidadosamente a recuperação e o regresso à competição, ao mesmo tempo em que se prepara para enfrentar fortes adversárias, como a japonesa Sena Tomita e a espanhola Queralt Castellet, medalha de prata em 2022, numa disputa acirrada pelo pódio.
Pela Ásia, Eileen Gu, que compete pela China (embora nascida nos EUA), continua a ser uma sensação: três medalhas em Pequim 2022, incluindo ouros em halfpipe e big air, e um carisma global que transcende o desporto. Aos 22 anos, Gu reina no freestyle com manobras aéreas impressionantes e pode levar essa mesma energia aos eventos mistos, tornando-se uma das grandes protagonistas.
Outras atletas a vigiar incluem Kaillie Humphries no bobsleigh, que mudou de nacionalidade para os EUA e já tem três ouros, e Kendall Coyne Schofield no hóquei no gelo, capitã da equipa norte-americana conhecida pela sua velocidade relâmpago. E não esqueçamos a checa Ester Ledecká, a única atleta a ganhar ouro olímpico em dois desportos diferentes no mesmo ano (esqui alpino e snowboard em 2018) – a sua versatilidade ímpar faz dela uma ameaça dupla em 2026, especialmente no parallel giant slalom no snowboard.
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De 4% a 47%: A (longa) história feminina nos Jogos de Inverno
A participação das mulheres nos Jogos de Inverno está recheada de histórias que vão desde o improvável ao inspirador. Sabias que nos primeiros Jogos em Chamonix, França, em 1924, as mulheres só podiam competir em patinagem artística? Apenas 11 atletas femininas marcaram presença – somente 4% do total de participantes, um contraste gritante com os atuais 47% – com a austríaca Herma Szabo a levar o ouro e a tornar-se a primeira campeã olímpica de inverno.
Mas as coisas mudaram devagar: só em 1960, com os Jogos de Squaw Valley, na Califórnia, as mulheres entraram na patinagem de velocidade e, em 1964, no luge e no esqui alpino. Avançando no tempo, em 2002, o bobsleigh feminino estreou-se em Salt Lake City, com equipas de duas mulheres a deslizarem a velocidades extremas, e em 2014, o salto de esqui feminino finalmente chegou, após décadas de luta contra estereótipos que diziam ser “demasiado perigoso” para as mulheres.
Hoje, o combinado nórdico – modalidade que combina salto de esqui (onde os atletas voam da rampa em busca de distância) com esqui cross-country (uma corrida de fundo) – ainda é o único desporto de inverno olímpico sem mulheres. Mas com as mudanças em 2026, como formatos ajustados para equipas mistas noutros eventos, o futuro parece mais inclusivo.
Estes não são apenas factos secos; são lembretes de como as mulheres contribuíram para fazer os Jogos Olímpicos de Inverno evoluírem de um clube masculino para um palco global de igualdade. Em Milano Cortina, cada medalha feminina será um eco dessas pioneiras, quebrando gelos – literalmente e figurativamente – e inspirando raparigas em todo o mundo a calçarem os esquis e sonharem alto. Marca já no calendário: em fevereiro de 2026, a neve vai ferver com talento feminino – e tu não vais querer ficar de fora!